Ordem Honorífica de Santa Maria de Ossónoba

Art. 12º
Da Condecoração.


1) A Confraria dos Gastrónomos do Algarve, mantendo vivas as mais nobres tradições, cria a Ordem Honorífica de Santa Maria de Ossónoba, a cujas condecorações assegurará o maior prestígio e dignidade.
a) - As Condecorações destinam-se a distinguir, em vida ou a título póstumo, os Confrades ou Cidadãos que se notabilizarem por méritos pessoais, por feitos cívicos ou por serviços prestados à Nação;
b) - Poderão também as condecorações da ordem honorífica ser atribuídas a estrangeiros, de harmonia com os usos internacionais.

2) As Condecorações da Ordem de Santa Maria de Ossónoba, são as seguintes:
a) Grã-Cruz;
b) Grande Oficial;
c) Cavaleiro ou Dama.

3) A Ordem de Santa Maria de Ossónoba destina-se a galardoar:
a) Méritos excepcionalmente relevantes demonstrados no exercício de funções em cargos superiores ou no mérito gastronómico, literário, científico e artístico, em particular, e que mereçam ser especialmente distinguidos;
b) Serviços prestados na expansão da cultura portuguesa ou do conhecimento da gastronomia portuguesa, sua história e seus valores;
c) Actos excepcionais de abnegação e sacrifício pela Pátria e pela Humanidade, serviços meritórios praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas, ou que revelem altruísmo e abnegação em favor da colectividade;
d) Altos serviços prestados à causa da Confraria, da gastronomia, da educação ou do ensino.


“Esta é dum miragre que mostrou/ Santa Maria en Faaron”

Afonso X de Castela, o sábio (1221 – 1284), foi o primeiro monarca cristão a intitular-se Rei dos Algarves.
Deixou, nos últimos vinte anos da sua vida, mais de quatrocentas músicas (quatrocentas e trinta, para ser mais preciso), reunidas sob o título genérico de “Cantigas de Santa Maria” – a região medieval entre Faro e Olhão.
Cada uma dessas cantigas diz respeito a um milagre, com a respectiva música derivada ao mesmo tempo de música sacra e profana.
Não sendo um registo de língua oral corrente, porque se concentra sobretudo na escrita, não se confunde, por isso mesmo, com o galaico-português.
Mesmo assim, a oralidade está presente nos diálogos, tão naturais “que quase nos fazem ouvir as vozes dos interlocutores.” (Ângela Vaz Leão)
Numa dessas cantigas, a 183.ª, Afonso X descreve o chamado milagre de Faro, que teria ocorrido durante o reinado de Aben-Afan, último monarca mouro.
Dizia a lenda que todos os peixes desapareceram no momento em que a imagem de Nossa Senhora foi atirada ao mar pelos muçulmanos.
Essa imagem “velida (bonita), formosa e bem talhada”, no dizer do trovador João Requeixo, contemporâneo de D. Dinis, encontrava-se num nicho de muralhas da cidade.
Como os peixes voltaram logo que a imagem foi retirada do mar, aquele povo decidiu pedir-lhe que protegesse a ria e a sua pescaria, homenageando assim um verdadeiro milagre de Santa Maria.
Afonso X, graças à iluminura que a acompanha, retrata Faro como era no século X – as casas, os telhados, as ameias ou os trabalhos da pesca.


Pesar a Santa Maria

“Esta é dum miragre que mostrou Santa Maria en Faaron quando era de mouros”

Pesar à Santa Maria de quen por desonrra faz
dela mal a ssa omagen, e caomia-llo assaz.

Desto direi un miragre que feso en faaron
a Virgem Santa Maria en tempo d’ Aben Mafon,
que o reino do Algarve ti’ aquela sazon
a guisa d’ om’ esforçado, quer en guerra, quer en paz.
Pesar á Santa Maria de quen por desonrra faz…

En aquel castel’ avia omagen, com’ apres’ ei
da Virgen mui groriosa, feita como vos direi
de pedra bem fegurada, e, com’ eu de cert’ achei,
na riba do mar estava escontra ele de faz.
Pesar á Santa Maria de quen por desonrra faz…

Bem do tempo dos crischãos e sabian y estar,
e porende os cativos a yan sempr’ a orar,
e Santa Maria’ a vila de Faaron nomar
por aquesta razon foron. Mas o poboo malvaz
Pesar á Santa Maria de quen por desonrra faz…

Dos mouros que y avia ouveron gran pesar en,
e eno mar a deitaron sannudos com gran desden;
mas gran miragre sobr’ esto mostrou a Virgen que ten
o mund’ en seu mandamento, a que soberva despraz.
Pesar á Santa Maria de quen por desonrra faz…

Ca fez que niun pescado nunca poderon prender
enquant’ aquela omagen no mar leixaron jazer.
Os mouros, pois viron esto, fórona dali erger
e posérona no muro ontr’ as amas em az.
Pesar á Santa Maria de quen por desonrra faz…

Des i tan muito pescado ouveron des enton y,
que nunca tant’ y ouveram, per com’ a mouros oy
dizer e aos crischãos que o contaron a mi;
poren loemos a Virgen en que tanto de bem jaz.
Pesar á Santa Maria de quen por desonrra faz…”

Cantiga CLXXXIII, de Afonso X, O Sábio.


Iluminura das Cantigas de Afonso X, O Sábio, 1280,
da Biblioteca do Escorial, Madrid,
referente a Santa Maria de Ossónoba.



 

Condecorações

Grã-Cruz da Ordem Honorífica de Santa Maria de Ossónoba

Confrade António Silva (Chefe Silva)

Nascido em Caldelas, Amares em 1934, iniciou-se na profissão em 1952, tendo trabalhado em diversos Restaurantes e Hotéis de Portugal e Estrangeiro

Foi, sempre, conhecido por Chefe Silva.

Confrade de Honra da Confraria dos Gastrónomos do Algarve e Membro Honorário de várias Confrarias Gastronómicas de Portugal.

Condecorado com a Grã-cruz da Ordem Honorifica de Santa Maria de Ossónoba pelos serviços prestados na expansão do conhecimento da gastronomia portuguesa, sua história e seus valores.

A Grã-Cruz é concedida pelos Altos serviços prestados à causa da gastronomia e, como tal, ao país.
 

Nobilíssimo exemplo que este Confrade soube dar em todos os actos, conquistando a estima e veneração de todos que com ele lidaram, merecendo múltiplas referências elogiosas no mundo gastronómico.



Cavaleiro da Ordem Honorífica de Santa Maria de Ossónoba
 

Confrade Fernando Manuel Martins

Nascido em Messines em 1959, Economista, Confrade e Presidente do Conselho Fiscal da Confraria dos Gastrónomos do Algarve do primeiro mandato.

Condecorado como Cavaleiro da Ordem Honorifica de Santa Maria de Ossónoba pela forma como desempenhou as funções de Presidente do Conselho Fiscal da Confraria dos Gastrónomos do Algarve.

Distintíssimo Confrade, de inultrapassáveis qualidades de carácter que lhe dão pleno direito a ser considerado um dos melhores Confrades e dificilmente igualado.

O Grau de Cavaleiro é concedido pelos Altos serviços prestados à causa da Confraria.

Grande exemplo de espírito Confrádico, conquistando a estima e veneração de todos que com ele lidaram.

 

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